segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

FELICIDADE CLANDESTINA

Em janeiro leremos uma das obras da espetacular Clarice Lispector:  Felicidade Clandestina.Clarice é fenomenal e já estava na hora dela receber o devido mérito em nosso grupo.Aqui vai uma sinopse da obra para que possamos já sentir o gostinho do que vem por aí.




Publicado pela primeira vez em 1971, Felicidade clandestina reúne 25 contos que falam de infância, adolescência e família, mas relatam, acima de tudo, as angústias da alma. Como é comum na obra de Clarice Lispector, a descrição dos ambientes e das personagens perde importância para a revelação de sentimentos mais profundos. "Felicidade clandestina" é o nome do primeiro conto. Como em muitos outros, é narrado na primeira pessoa, e mostra que o prazer da leitura é solitário e, quando difícil de ser conquistado, torna-se ainda maior. O conto narra a crueldade da filha do dono de uma livraria que se recusa a emprestar As reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato, até que a intervenção da mãe da menina permite à narradora deliciar-se, vagarosamente, com a posse do livro. A história, como outras do livro, acontece no Recife, onde a autora passou sua infância.
A dificuldade de se relacionar está presente em todos os contos. Em "Uma amizade sincera", dois amigos quanto mais se aproximam fisicamente, mais distantes ficam; em "Miopia progressiva", sobre a expectativa de um garoto em passar o dia na casa da prima mais velha e a decepção quando, enfim, chega o grande dia e nada de especial acontece. Solidão e morte também estão presentes no melancólico "O grande passeio", sobre a velhinha solitária com quem ninguém quer ficar; "A legião estrangeira" fala das visitas, dos conselhos e do silêncio da menina Ofélia; e "Os obedientes", da insuportável simetria do casamento. O cotidiano da vida familiar também faz parte da coletânea, em "Uma esperança" e "Macacos", nos quais as relações dos humanos com os animais servem para a autora falar dos mistérios da vida e da morte.
"Os desastres de Sofia" é um dos mais belos contos e trata da relação de amor e ódio de uma menina de nove anos e seu professor. Outro grande exemplo das dificuldades de relacionamento é "A mensagem", sobre dois estudantes, que tentam não se ver como homem e mulher. Só quando ela vai embora é que o rapaz percebe que já é um homem e vê a colega como uma mulher. A descoberta do sexo também é tema da última história, "O primeiro beijo", em que um estudante descobre a mulher após "beijar" os lábios de uma estátua. Entre os 25 contos de Felicidade clandestina, há textos originalmente publicados em jornal e outros que faziam parte do livro A legião estrangeira. A maioria trata de recordações familiares e de infância, mas todos testemunham os mais profundos segredos da alma humana.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Exposição Impressionismo: Paris e a Modernidade

Exposição Impressionismo: Paris e a Modernidade

Inaugurada, no Rio de Janeiro, a mostra que exibe parte do acervo do Museu d’Orsay, de Paris
Foi inaugurada ontem (22), no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), no Rio de Janeiro, a exposição Impressionismo: Paris e a Modernidade, com obras-primas do Museu d’Orsay, de Paris, que pela primeira vez exibe parte de seu acervo na América do Sul. A mostra reúne 85 obras dos mestres impressionistas, estilo de pintura que abrange o período de meados do século XIX ao início do século XX.
Realizada com apoio do Ministério da Cultura (MinC), por meio da Lei Rouanet, a exposição atraiu 320 mil pessoas em São Paulo, com longas filas e espera de quatro a cinco horas. No Rio, onde o espaço do CCBB é mais amplo do que na capital paulista, a expectativa é de um público bem maior, principalmente no final do ano, quando a cidade recebe milhares de turistas para o Réveillon. A mostra ficará aberta de hoje (23/10) até 13 de janeiro de 2013 e a entrada é franca.
Participaram da cerimônia de abertura o secretário de Fomento e Incentivo à Cultura do MinC, Henilton Menezes; o presidente do Museu d ‘Orsay, Guy Cogeval; o diretor-geral do Instituto de Cultura da Fundação Mapfre, Pablo Jiménez Burillo; o vice-presidente de governo do Banco do Brasil, César Borges; e o governador do Estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral.
Também estiveram presentes a secretária de Cultura do Estado, Adriana Rattes; o vice-prefeito do Rio, Carlos Alberto Muniz; o cônsul da França no Rio, Jean-Claude Moyret; a coordenadora da exposição, Maria Ignez Mantovani; o chefe da Representação Regional do MinC, Marcelo Velloso; e as atrizes Fernanda Montenegro e Beth Goulart (apresentadora da cerimônia).

A exposição
A mostra reúne 85 obras dos mestres Claude Monet, Édouard Manet, Auguste Renoir, Paul Gauguin, Edgard Degas, Toulouse-Lautrec, Camille Pissaro, Vincent Van Gogh e Paul Cézanne, entre outros. A coordenadora da exposição, Maria Ignez Mantovani, estava feliz com o resultado do trabalho: “É uma coisa linda que o país tenha condições de receber um projeto desta excelência, com esta qualidade e amplo acesso popular”. Além do apoio do MinC, o evento conta com o patrocínio do Banco do Brasil e da seguradora Mapfre.



O impressionismo, que rompeu com o padrão realista na pintura, surgiu em meados do século XIX. Nesta época, a nova Paris, reformada segundo plano do Barão Von Haussmann, com amplos boulevares e espaços públicos, era o centro da vida cultural europeia. O novo espaço urbano atraiu a atenção dos pintores que nele encontraram diversos temas de inspiração, dando ênfase à luz e ao movimento.
A exposição se divide em vários módulos, que refletem este clima: Paris, cidade moderna; A vida parisiense e seus atores; Paris é uma festa; Fugir da cidade (que destaca a vida no campo nos arredores); A vida silenciosa (com telas intimistas, algumas com inspiração japonesa, egípcia ou medieval); e Convite à viagem ( com obras de Gauguin e seus discípulos, inspiradas na Bretanha) e, finalmente, Convite à viagem – O ateliê do Sul (que retrata a região do Sul da França).
O quadro central da exposição é ‘Tocador de Pífano’, de Édouard Manet. Além dele o espectador também poderá apreciar obras-primas como o ‘Lago das Ninfeias–Harmonia Verde’, de Monet; ‘O Banho’, de Alfred Stevens; ‘Jeunes filles au piano’, de Renoir; ‘Dançarinas subindo uma escada’, de Edgard Degas; ‘Colheita Dourada ou As medas amarelas’, de Gauguin; ‘Rochedo perto das grutas acima de Château Noir’, de Cézanne; e ‘La salle de danse à Arles’, de Van Gogh. A lista é longa e o visitante precisa de tempo para apreciar com calma as obras.
O museu d’Orsay é um dos mais importantes da França e seu acervo chega a 154 mil obras. Já o Brasil foi colocado pela publicação americana The Art Newspaper no ranking de países com as exposições mais visitadas do mundo em 2011. O país emplacou três na lista das dez mostras mais procuradas naquele ano. A primeira do ranking foi O Mundo Mágico de Escher, que atraiu mais de 570 mil pessoas ao CCBB do Rio de Janeiro. A expectativa é de que os impressionistas franceses ultrapassem esta marca nesta temporada.
(Texto: Heloisa Oliveira, Representação Regional RJ/ES/MinC)
(Fotos: Raphael Reis)

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

CORRUPTECA: a biblioteca virtual da corrupção

Está no ar,  desde  01 de novembro de 2012, a CORRUPTECA, uma biblioteca digital que reúne artigos e notícias sobre corrupção. A biblioteca da corrupção foi desenvolvida pelo Núcleo de Pesquisa de Políticas Públicas da Universidade de São Paulo (Nupps-USP) e conta com o Acervo Digital do jornal O Estado de S. Paulo, que reúne notícias relativas ao tema desde 1875.

A ideia  central que levou à criação da biblioteca é  ampliar a pesquisa e o debate sobre os fenômenos da corrupção e seus impactos nas políticas públicas. Com acervo aberto ao público e formado inicialmente por cerca de 100 mil textos, a Corrupteca reúne a produção científica específica sobre corrupção extraída de periódicos científicos de 63 países.

O conteúdo oferece a jornalistas, pesquisadores e população em geral uma memória sobre os acontecimentos, além de organizar, classificar e arquivar a cobertura da imprensa sobre diversos casos de corrupção. O responsável pelo desenvolvimento tecnológico do projeto é o professor Giovanni Eldasi, segundo ele, em entrevista ao site Comunique-se: "Em uma única ferramenta de busca, encontra-se informação e produção científica sobre distintas práticas da corrupção, em diferentes épocas"

Para conhecer o projeto, basta acessar: http://corrupteca.vitis.uspnet.usp.br/

  

domingo, 25 de novembro de 2012

ATA DE OUTUBRO/NOVEMBRO


No dia 11 de novembro de 2012, o Grupo Prazer da Leitura se reuniu no Vanille do Alameda para discutir a primeira parte do livro Cem anos de Solidão do Prêmio Nobel de Literatura Gabriel Garcia Márquez. 




Neste encontro, tivemos a participação de Raphael Reis, Pauliane Godoy, Marcos Godoy, Marcelo, eu e, ainda contamos com a nova integrante do grupo, Eliana Balena. A discussão foi bastante rica e girou em torno de algumas personagens que consideramos centrais: a família Buendía, o povoado de  Macondo, a Solidão e, metaforicamente, a própria formação das Américas.

A discussão foi bastante rica e a continuaremos no último encontro do ano, que acontecerá no dia 16 de dezembro às 18 horas em local  que estamos definindo por e.mail (aguardamos sugestões de todos). Nosso encontro de 16 de dezembro é comemorativo, teremos a discussão da segunda parte do livro, amigo oculto, balanço do grupo no ano de 2012 e pequenas sugestões para o próximo ano.




11ª edição do Festival de Cinema Primeiro Plano

Uma maratona de filmes, entre curtas e longas, além de oficinas e debates sobre a produção audiovisual, é o que a 11ª edição do Festival de Cinema Primeiro Plano promete para a semana que começa. Destaque para o filme argentino " O estudante", longa que abre o festival amanhã, às 20h, no Espaço Alameda de Cinema, ao lado dos curtas "Fim de mês", do professor da Faculdade de Comunicação Social da UFJF, Nilson Alvarenga, e "O próximo", de Yuri Westermann, vencedor do Incentivo Primeiro Plano 4, prêmio concedido ao melhor curta-metragem da mostra competitiva regional. Destaque também para o curta "A galinha que burlou o sistema", realizado pelo jovem cineasta Quico Meirelles, filho do diretor Fernando Meirelles ("Cidade de Deus", "O jardineiro fiel" e "Ensaio sobre a cegueira"). O filme, premiado em festivais nacionais e estrangeiros, será exibido em duas oportunidades no Primeiro Plano, ambas no Alameda, sendo a primeira na terça, às 19h, quando participa da mostra competitiva nacional, e a segunda, na sexta, às 10h, durante a Sessão Jovem.
A presença de trabalhos de jovens universitários de Juiz de Fora e região é uma característica marcante do festival. No entanto, na edição deste ano, chama a atenção o fato de haver filmes dirigidos por professores da UFJF, tanto do curso de Comunicação Social quanto do curso de Cinema e Audiovisual do Instituto de Artes e Design (IAD). A presença desses filmes é resultado da aproximação do trabalho de pesquisa e ensino com a prática cinematográfica desenvolvida pelos docentes. "Não entendo em momento nenhum que esses campos se separam, seja a prática reflexiva e didática, em sala de aula e em orientações de trabalhos de alunos, ou o exercício de pensamento envolvido na busca de formas de comunicação com o público que a realização cinematográfica propicia", reflete Nilson Alvarenga, diretor do curta "Fim de mês", um dos trabalhos que abrem o festival. "É um roteiro de 2003. Estava na gaveta, quando decidimos montar o projeto e enviar para a Lei Murilo Mendes. Fomos aprovados com o valor integral e pudemos gravar tudo em janeiro deste ano. O curta foi gravado em cinco dias, em locações no Bairro Carlos Chagas e no Centro da cidade. Investi mais no estilo, na maneira de contar a história do que propriamente numa trama mirabolante. Esse estilo, mais até do que o tema, está relacionado diretamente com as cosias que pesquiso e com as quais procuro trabalhar com os meus alunos. Nesse sentido, o estilo buscado no filme nasce tanto do contato com os diretores de que gosto muito quanto da experiência de ensino, na qual busco diferenciar com os alunos as diversas formas de contar uma história no cinema."

Representando o gênero documentário, Karla Holanda, diretora e professora do Curso de Cinema e Audiovisual da UFJF, traz ao festival seu filme "Kátia", projeto selecionado em dois dos festivais mais prestigiados do país, o Festival de Brasília e a Mostra Internacional de São Paulo. O filme ainda será exibido no Festival Mix Brasil, no Rio de Janeiro, antes de ser lançado comercialmente nos cinemas, em 2013. "Kátia" foi selecionado no cobiçado prêmio Petrobrás de Cinema, na categoria longa/digital, em 2010. O filme, finalizado esse ano, com 74 minutos de duração, tem como personagem principal Kátia Tapety, moradora de uma pequena cidade no interior do Piauí, a primeira travesti a se eleger a um cargo político no país. "Primeiro, eu me encantei com a história da personagem. Seu feito político, na verdade, se tornou secundário quando a conheci. Ela abriga muito mais dilemas e contradições do que isso. A impactante conquista que sua trajetória representa aos direitos humanos vem de um lugar inesperado, o interior de um estado tão pobre como o Piauí, região geralmente associada a um atraso generalizado e como se lá houvesse machismo e preconceito mais acentuados que no resto do país", explica Karla.
Inserido no projeto em que o próprio autor - o professor do IAD Sérgio Puccini - define como "Filme mínimo" e que reúne alguns trabalhos seus, realizados a partir do uso de tecnologias baratas e defasadas, o curta-metragem "Filme mínimo #4: Canções" nasceu de uma experiência doméstica improvisada do professor com uma antiga câmera mini-DV, encostada a tempos. "Gosto muito da ideia de se trabalhar com esses aparelhos amadores, tecnologias defasadas, de baixa resolução, e tentar fazer exercícios de criação dentro das limitações impostas por esses suportes. Esse curta é resultado disso, um único plano-sequência de aproximadamente cinco minutos, com a câmera desfocada, sobre o qual são inseridos flashes de alguns textos que de certa forma comentam, ou complementam, aquilo que estamos vendo", explica Sérgio, que também valoriza o intercâmbio entre a docência e a prática. "Para mim, existe uma via de mão dupla entre teoria e prática, uma alimentando a outra. Essa ideia de estabelecer uma relação indissociável entre ambas é preocupação comum entre todos os professores do curso de Cinema e Audiovisual da UFJF."
Buscando superar o baixo orçamento por meio da linguagem cinematográfica, o cineasta, pesquisador e professor Luis Rocha Melo, responsável pelo longa de ficção "Nenhuma fórmula para a contemporânea visão de mundo", uma comédia sobre as dificuldades de se viver da criação artística no Brasil, argumenta que entender o cinema como um instrumento de criação para além das fórmulas pré-estabelecidas pelo mercado é justamente o que se deve fazer no âmbito do ensino.

Fonte: Por Marcio Corino, jornalista do jornal Tribuna de Minas. Disponível em: http://www.tribunademinas.com.br/cultura/mestres-na-direc-o-1.1192030. Acesso: 25/11/2012