segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Leitura de Janeiro/2015: Quincas Borba, de Machado de Assis

Quincas Borba é um romance escrito por Machado de Assis, desenvolvido em princípio como folhetim na revista A Estação, entre os anos de 1886 e 1891 para, em 1892, ser publicado definitivamente pela Livraria Garnier. No processo de adaptação de folhetim para livro o autor realizou algumas mudanças mínimas, mas significativas.
Seguindo Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), este livro é considerado pela crítica moderna o segundo da trilogia realista de Machado de Assis, em que o autor esteve preocupado em utilizar o pessimismo e a ironia para criticar os costumes e a filosofia de seu tempo, embora não subtraia resíduos românticos da trama. Ao contrário do romance anterior, no entanto, Quincas Borba foi escrito em terceira pessoa, a fim de contar a história de Rubião, ingênuo rapaz que torna-se discípulo e herdeiro do filósofo Quincas Borba, personagem do romance anterior, e que, sendo enganado por seu amigo capitalista Cristiano e sua esposa Sofia, paixão de Rubião, vive na pele todo o fundamento teórico do Humanitismo, filosofia fictícia daquele filósofo.
Quincas Borba, de fato, foca-se melhor nos temas secundários do romance anterior. Estes incluem uma paródia ao cientificismo e ao evolucionismo da época, bem como ao positivismo de Comte e à lei do mais forte, uma adaptação da seleção natural de Charles Darwin a nível social. O livro tem recebido vários estudos e interpretações ao longo do tempo, sobretudo sociológicos, que o consideram um romance que trata principalmente da transformação do homem em objeto do homem e a sua "coisificação". Quincas Borba, um dos que mais interesse tem despertado em novas edições e traduções para outras línguas, está entre os principais livros da obra machadiana.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Quincas_Borba
Para quem se interessar pela obra, está disponível online em: http://machado.mec.gov.br/images/stories/pdf/romance/marm07.pdf

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Leitura de Dezembro: O Homem na Multidão, de Edgar Allan Poe


O narrador da história, senta-se num café em Londres a observar a multidão, lá fora. Passa o tempo a classificar por tipos as pessoas que observa até que a noite começa a cair. Prende a sua atenção num homem, já decrépito, com sessenta e cinco a setenta anos de idade. O narrador sai do café com o objetivo de seguir o homem através da multidão.
Curiosidades:
Em 1840, Londres era a cidade mais populosa do mundo, com cerca de 700.000 habitantes.
Excerto:
«Os estranhos efeitos da luz levaram-me a examinar o rosto de cada pessoa; e, apesar de a rapidez com que esse mundo de luz se escapava diante da janela me impedir de lançar mais do que um fugaz relance a: cada uma das fisionomias, parecia-me de qualquer modo que, no meu singular estado mental do momento, podia frequentemente detectar, mesmo nesse breve intervalo de um relance, a história de longos anos. »

Para ler o livro: http://www.livros-digitais.com/edgar-allan-poe/o-homem-da-multidao/1

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Obra do Mês de Outubro/Novembro: Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda


A obra do mês de outubro é um clássico do pensamento sociológico brasileiro. Ao lado de Casa Grande&Senzalas, de Gilberto Freire e Formação Econômica do Brasil, de Caio Prado Júnior, Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda, inaugura um novo modelo de pensar as nossas próprias origens enquanto povo e nação. Enquanto Gilberto Freire vai buscar as nossas origens nos hábitos e costumes cotidianos, em que se sobressai a miscigenação das três "raças"que formaram o povo brasileiro (o branco europeu, o indígena e o africano), Sérgio Buarque de Holanda procura explicar os aspectos econômicos, sociais e culturais de nossa nação no processo de colonização portuguesa ao qual fomos submetidos. Neste sentido, o autor inova com um importante trabalho histórico de fundo sociológico ao trazer a tona as nossas similaridades mais profundas com os nossos colonizadores. Raízes do Brasil tornou-se nacionalmente conhecida por ser uma das primeiras obras do pensamento sociológico brasileiro que pretendeu explicar as particularidades do comportamento do povo brasileiro. Seu capítulo mais famoso,O Homem Cordial, serviu de inspiração para alguns autores buscarem a explicação do famoso "jeitinho brasileiro", o que não parece ser uma particularidade exclusiva de nosso país. Ao comparar o comportamento de nosso povo, sobretudo em relação àquilo que se refere à ordem social  e à legalidade jurídica, Sérgio Buarque estabelece um paralelo muito próximo com o processo de formação da sociedade portuguesa que, em razão de sua precocidade na formação de Estado Nacional, de sua posição geográfica e de sua formação social e econômica, não se atém a fundo na consolidação e na demarcação das ordens sociais e de uma vocação produtiva e econômica que sempre caracterizou algumas das principais nações europeias.


Em seu capítulo O Semeador e o Ladrilhador, o autor oferece talvez a sua maior contribuição no processo de análise da formação histórico-social a partir da formação do Brasil colonial em comparação com o processo de formação histórico-social dos países de colonização espanhola. Neste sentido, enquanto a hispano-América teve o seu processo de formação marcado pela racionalidade na formação dos espaços urbanos e administrativos, sempre localizados mais em direção ao interior, pela ideia de permanência secular e porque não dizer pelo desenvolvimento educacional e cultural para uma elite crioula local, a formação da América portuguesa, segundo o autor, se caracterizou muito mais pela ideia de improvisação e pela dificuldade de estabelecer raízes mais profundas em seu território de dominação.

No entanto, todas essas características não podem ser absorvidas como elementos de má formação de nossa sociedade, como querem ainda alguns analistas influenciados por teorias há muito superadas. O importante, neste aspecto, é perceber as particularidades históricas de nossos colonizadores e não atribuir, na sua totalidade, a eles as razões de nosso atraso.

Sérgio Buarque de Holanda nasceu em São Paulo no dia 11 de julho de 1902 e faleceu no dia 24 de abril de 1982 na mesma cidade aos 80 anos de idade. Ao lado de grandes intelectuais já mencionados, Sérgio Buarque foi um dos mais importantes pensadores do Brasil contemporâneo. É autor de vários trabalhos acadêmicos; além de Raízes do Brasil, publicou "Cobra de  Vidro", 1944; Monções, 1945; Caminhos e Fronteiras, 1957; Visão do Paraíso, 1959; Do Império à República, 1972, entre outros.


Foi diretor do Museu Paulista por dez anos (1946-1956) e em 1948 passou a lecionar na Escola de Sociologia e Política de São Paulo, na Cátedra de História Econômica do Brasil, em substituição a Roberto Simonsen. Após viver na Europa por algum tempo, assumiu, em 1958 a cadeira de "História da Civilização Brasileira" na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo.
Em 1980 participou da cerimônia de fundação do Partido dos Trabalhadores, recebendo a terceira cadeira de filiação do partido, após Mario Pedrosa e Antônio Cândido. Devido a sua importante e influente participação no partido e na condição de intelectual destacado, o Centro de Documentação e Memória da Fundação Perseu Abramo, recebe o seu nome: Centro Sérgio Buarque de Holanda Documentação e Memória Política. Após algumas décadas de ter nos deixado, Sérgio Buarque de Holanda é mais atual do que nunca. É leitura obrigatória nos cursos e ciências humanas e para aqueles que pretendem uma melhor compreensão do processo de formação histórico, social e político de nossa nação. Ao se tornar um dos fundadores da Universidade de São Paulo, na década de 1930, ele se torna pioneiro em seus trabalhos acadêmicos ao inaugurar uma nova visão interpretativa do Brasil, por meio de uma nova tendência de análise histórico-social.





sábado, 6 de setembro de 2014

Leitura do mês de setembro: O Pagador de Promessas, de Dias Gomes

“O pagador de promessas”, de Dias Gomes
 
A história acontece no interior da Bahia, a partir de uma promessa de Zé, que pede à Santa Bárbara a cura para seu burro, ferido por um galho de árvore. Como na cidade não havia uma igreja dedicada à santa, a promessa foi feita em um terreiro de candomblé, onde a santa tem o nome de Iansã. 
Zé do Burro, portando então uma cruz nos ombros, e sua mulher, Rosa, caminham do sertão baiano até Salvador para pagar a promessa. Como chegam lá, de madrugada, têm que esperar o amanhecer nas escadarias da igreja dedicada à santa. Quando o padre chega, Zé do Burro lhe conta que a promessa fora feita num terreiro de candomblé a Iansã, o que leva o padre a impedir que Zé entre na igreja. Obstinado, ele insiste em permanecer, ignorando os apelos da mulher para partirem, até que se torna assunto na cidade e acaba sendo o alvo de um repórter sensacionalista, que, por sua vez, distorce os fatos e o retrata como um messias que apoia a reforma agrária. 
Após muita insistência, o padre tenta persuadi-lo a refazer a promessa para que possa entrar na igreja, mas, desacatando as considerações do eclesiástico, Zé se enfurece e termina autuado pela polícia. Recusa-se a ser detido e tenta desesperadamente entrar na igreja com a cruz para cumprir sua promessa...
A história, também entremeada com a sedução da mulher de Zé do Burro pelo sedutor Bonitão, tem um final que em parte não se cumpre como o próprio personagem central esperava, cabendo, assim, a boa leitura que a obra sugere para que se possa conhecer como termina a promessa de Zé do Burro.
Vale destacar, ainda, que, sendo o dramaturgo brasileiro mais traduzido no exterior, Dias Gomes traz em, O Pagador de Promessas, mais do que a fé de um homem simples, os conflitos entre o Brasil rural e o urbano, muito evidente na onda de modernização que atravessava o país ao longo das décadas de 50 e 60, além do embate em torno das crenças de um povo, cujo sincretismo religioso se choca com o dogmatismo, o ritualismo rigoroso e a burocratização da igreja.
 
Por Paulo Tostes
 
 
 

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Leitura de julho/agosto: O Cemitério de Praga, de Humberto Eco

No mês de junho, o grupo Prazer da Leitura conheceu o escritor Humberto Eco em seu estilo acadêmico, ao ler o ensaio Seis Passeios pelo Bosque da Ficção. Agora, visto o tamanho da obra e exigência de atenção, passamos a conhecer o Humberto Eco romancista, através da obra Cemitério de Praga. Dividimos a leitura em duas partes: 1) Capítulos: 1º ao 15º em julho e 2) Capítulos 16º a0 27º em agosto.

Segue uma breve sinopse, cuja fonte autoral está ao fim da postagem:

O mais importante intelectual italiano vivo, imbatível nos estudos de semiótica, Umberto Eco é, também, um romancista de talento incomparável. Mestre em criar tramas engenhosas, capazes de mesclar vários níveis de linguagem, personagens e ações, se tornou conhecido mundo afora com o sucesso de público e crítica O nome da rosa. Três décadas depois desse estupendo thriller, Eco retorna com um dos mais antecipados — e controversos — livros dos últimos anos: O cemitério de Praga. Quatrocentos mil exemplares vendidos na Itália em um mês.

Um tratado sobre o mecanismo do ódio, e espécie de síntese da história do preconceito, o livro causou desconforto em setores mais conservadores da sociedade italiana, principalmente entre religiosos, por misturar personagens históricos a um anti-herói fictício, cínico e maquiavélico, capaz de tudo para conseguir se vingar de padres, jesuítas, comunistas, mas, principalmente, dos judeus. Repleto de teorias da conspiração, falsificações, assuntos maçônicos e detalhes da unificação italiana, é no antisemitismo que repousa o coração da narrativa.

O cemitério de Praga também lembra um dos mais impressionantes episódios de falsificação da história: Os protocolos dos sábios de Sião, um texto forjado pela polícia secreta do Czar Nicolau II para justificar a perseguição aos judeus. Os escritos, que se acredita terem sido baseados em um texto francês — Diálogos no inferno entre Maquiável e Montesquieu — descreviam um suposto plano para a dominação mundial pelos israelitas. E serviriam de inspiração a Hitler para os campos de concentração. 

O odioso Simonini, que o próprio autor define como um dos mais repulsivos personagens literários já criados, é um mestre do disfarce e da conspiração. Um falsário a serviço de vários governos. Do nordeste italiano até a Sicília de Garibaldi, das favelas de Paris às tabernas alemãs, passando por missas negras, o bombardeio a Napoleão III, a Comuna de Paris, o caso Dreyfus, o Ressurgimento, Simonini é todas as revoluções, as más escolhas, os erros do século XIX, que Eco reconstrói com grande rigor histórico, entre tomadas de poder e revoluções.


Divulgação.
Com ares de novo clássico, O cemitério de Praga leva as mentiras históricas a novos patamares e revela, ainda, ferramentas usadas por falsários e propagandistas. Um trabalho memorável de filosofia da história e a natureza da ficção. Eco em sua melhor forma.

“Eco vence o desafio de inovar seu próprio gênero, sem perder o leitor acostumado às aventuras físicas e intelectuais dos romance erudito. Mostra que ainda é – para usar um termo que ele não aprovaria – o papa do suspense erudito”, Luis Antônio Giron para a revista Época".


 
Eis um trecho do livro:

"Os padres... Como os conheci? Na casa do vovô, creio; tenho a obscura lembrança de olhares fugidios, dentaduras estragadas, hálitos pesados, mãos suadas que tentavam me acariciar a nuca. Que nojo. Ociosos, pertencem às classes perigosas, como os ladrões e os vagabundos. O sujeito se faz padre ou frade só para viver no ócio, e o ócio é garantido pelo número deles. Se fossem, digamos, um em mil almas, os padres teriam tanto o que fazer que não poderiam ficar de papo para o ar comendo capões. E entre os padres
mais indignos o governo escolhe os mais estúpidos, e os nomeia bispos.

Você começa a tê-los ao seu redor assim que nasce, quando o batizam; reencontra-os na escola, se seus pais tiverem sido suficientemente carolas para confiá-lo a eles; depois, vêm a primeira comunhão, o catecismo e a crisma; lá está o padre no dia do seu casamento, a lhe dizer o que você deve fazer no quarto; e no dia seguinte, no confessionário, a lhe perguntar, para poder se excitar atrás da treliça, quantas vezes você fez aquilo. Falam-lhe do sexo com horror, mas todos os dias você os vê sair de um leito incestuoso sem sequer lavar as mãos, e vão comer e beber o seu Senhor, para depois cagá-lo e mijá-lo.

Repetem que seu reino não é desse mundo, e metem as mãos em tudo o que podem roubar. A civilização não alcançará a perfeição enquanto a última pedra da última igreja não houver caído sobre o último padre, e a Terra estiver livre dessa corja.

Os comunistas difundiram a ideia de que a religião é o ópio dos povos. É verdade, porque serve para frear as tentações dos súditos, e se não existisse a religião haveria o dobro de pessoas sobre as barricadas,
ao passo que nos dias da Comuna não eram suficientes e foi possível dispersá-las sem muito trabalho. Mas, depois que escutei aquele médico austríaco falar das vantagens da droga colombiana, eu diria que a religião é também a cocaína dos povos, porque a religião impeliu e impele às guerras, aos massacres dos infiéis, e isso vale para cristãos, muçulmanos e outros idólatras, e, se os negros da África se limitavam a se massacrar entre si, os missionários os converteram e os fizeram tornar-se tropa colonial, adequadíssima a morrer na primeira linha e a estuprar as mulheres brancas quando entram em uma cidade. Os homens nunca fazem o mal tão completa e entusiasticamente como quando o fazem por convicção religiosa".

 
 

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Próximo encontro: Seis Passeios pelo Bosque da Ficção, de Umberto Eco


Seis passeios pelo bosque da ficção – Umberto Eco
O nosso próximo encontro, que acontecerá no mês de junho, irá discutir a obra de Umberto Eco, Seis Passos pelo Bosque da Ficção.
 
A obra é resultado de seis conferências realizadas por Umberto Eco, entre 1992 e 1993, na universidade de Harvard. O autor parte de conceitos como leitor-empírico – aquele que realiza uma leitura subjetiva da obra de arte, porque utiliza o texto como “um receptáculo de suas próprias paixões”, e leitor-modelo – aquele que seria um leitor ideal que o texto não apenas prevê, mas que quer como colaborador e, muitas vezes, tenta moldar durante a própria construção do enredo. Assim, mergulhando em questões cruciais da arte narrativa, tais como: as divergências entre tempo real e tempo ficcional, as diferenças entre história, enredo e discurso e seus respectivos tempos narrativos, e a verdade histórica e filosófica em contraste com a verdade ficcional, bem como a aceitação desta e a suspensão daquela, para que se possa adentrar o texto literário, os bosques de Eco são uma metáfora do texto narrativo. Enfim, um convite às diversas formas de se percorrer e interpretar uma mesma história, a partir dos espaços em branco que o autor-modelo espera que sejam preenchidos pelo leitor-modelo. Para tanto, o texto é apresentado como um “jardim de caminhos que se bifurcam”, para lembrar Borges, pois, para Eco, “Mesmo quando não existem trilhas bem definidas num bosque, todos podem traçar sua própria trilha e decidir a direção que vai tomar.

Percorrendo, assim, os textos de Homero, Dante, Shakespeare e James Joyce, bem como as fábulas dos irmãos Grimm, o universo romântico de Dumas e Nerval, as descrições góticas de Poe, a literatura filosófica de Kafka, entre outros autores e obras, Eco busca apontar algumas pistas para os inúmeros caminhos e trilhas com os quais nos deparamos diante de um texto que se propõe a contar uma história. São caminhos que, ao serem percorridos, cruzam as fronteiras imprecisas de um labirinto chamado texto, e que atravessam os tênues limites que separam a realidade da ficção... Temos, portanto, uma oportuna obra teórica, nem por isto sem o esmero literário de Umberto Eco, que deve ser lida por todos os amantes da literatura.

 

Por Paulo Tostes.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Vidas Secas, de Graciliano Ramos


O encontro do dia 25/05 debateu o livro Vidas Secas, de Graciliano Ramos.

O que impulsiona os personagens é a seca, áspera e cruel, e paradoxalmente a ligação telúrica, afetiva, que expõe naqueles seres em retirada, à procura de meios de sobrevivência e um futuro. Apesar desse sentimento de transbordante solidariedade e compaixão com que a narrativa acompanha a miúda saga do vaqueiro Fabiano e sua gente, o autor contou: "Procurei auscultar a alma do ser rude e quase primitivo que mora na zona mais recuada do sertão... os meus personagens são quase selvagens... pesquisa que os escritores regionalistas não fazem e nem mesmo podem fazer ...porque comumente não são familiares com o ambiente que descrevem...Fiz o livrinho sem paisagens, sem diálogos. E sem amor. A minha gente, quase muda, vive numa casa velha de fazenda. As pessoas adultas, preocupadas com o estômago, não tem tempo de abraçar-se. Até a cachorra [Baleia] é uma criatura decente, porque na vizinhança não existem galãs caninos". VIDAS SECAS é o livro em que Graciliano, visto como antipoético e anti-sonhador por excelência, consegue atingir, com o rigor do texto que tanto prezava, um estado maior de poesia.

domingo, 27 de abril de 2014

Assassinatos da Rua Morgue, de Edgar Allan Poe

The Murders in the Rue Morgue (Os Assassinatos da Rua Morgue, no Brasil; Os Crimes da Rua Morgue em Portugal) é um conto escrito por Edgar Allan Poe e que foi publicado pela primeira vez na Graham's Magazine, em abril de 1841.
Conta a história de dois brutais assassinatos de mulheres na Rua Morgue, em Paris, casos que parecem insolúveis até que o detetive C. Auguste Dupin assume o caso e, usando sua estupenda inteligência, desvenda esse grande mistério.
O detetive Dupin é considerado o precursor de Sherlock Holmes. Os métodos de investigação são semelhantes ao do detetive inglês e, as histórias policiais em que aparece, encontram-se no período da gênese da literatura policial internacional.
Apesar dessas qualidades, Dupin é pouco conhecido pois seu criador escreveu apenas três contos com ele (a obra completa de Poe é pequena em razão da sua morte precoce, aos 40 anos, além de mais identificada com contos de terror e suspense, outra criação literária do genial autor estadunidense).http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Aubrey_Beardsley_-_Edgar_Poe_1.jpg

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Sobre a Felicidade, de Epicuro e Meditações, de Marco Aurélio

Quando se pensa em Epicuro, encontra-se um filósofo cuja proposta maior era alcançar a paz de espírito. E como se busca isso na vida?! Contudo, poucos conseguem aplicar os meios necessários para se viver essa paz. Para o filósofo grego, do século IV a. C., era viver bem sem nenhum medo ou perturbação, sem nenhuma dor. Só assim o homem poderia alcançar a felicidade. E como? Vejamos um exemplo: a morte como fonte de angústia. Para ele, “a morte não é nada”. Afinal, todo bem e todo mal traz suas sensações, e a morte é simplesmente a privação dessas sensações. Quem não acha nada de terrível na morte, não achará nada de terrível na vida, portanto, não devemos temer algo que é a ordem natural das coisas, nem ter “desejo” de imortalidade, pois, se estamos vivos a morte não existe, e, uma vez mortos, a morte não significa nada. Por aqui, já temos um bom começo para pensar a Carta sobre a Felicidade e o que move a nossa dor e o nosso prazer...
Por sua vez, Marco Aurélio, o imperador-filósofo (121-180 d.C.), e contemporâneo do apogeu do Império Romano, tinha como objetivo em suas “meditações” pensar sobre si mesmo e o ambiente que envolvia os bastidores da Roma Imperial. Mais do que apontar regras de comportamento para os outros, Marco Aurélio era um estoico, e, como tal, sabia que nenhum homem estava isento de algum vício, portanto, fundamental era pôr em prática os princípios de uma filosofia cosmopolita como o Estoicismo, buscando comandar os rumos do Império em consonância com as leis do universo – Razão maior que dirige todas as coisas. Assim, Meditações reflete uma proposta a ser aplicada em relação às mais variadas situações da vida vividas pelo imperador. Não é um livro que requer uma leitura linear, é mais um diário onde Marco Aurélio registrava qualquer coisa que lhe parecesse digna de reflexão, inclusive os mistérios da vida e da morte do homem.
Assim, levadas em conta as devidas diferenças entre o Epicurismo e o Estoicismo, numa obra e noutra temos a oportunidade de voltar aos “antigos” e refletir como pensavam questões essenciais da vida humana e que continuam prementes ao homem de todos os tempos. Porém, enquanto para os epicuristas a busca da felicidade passa pelo prazer, desde que moderado e não traga dor, para os estoicos, a felicidade vem da busca da harmonia entre Deus e a alma, e a necessidade de se viver de acordo com a natureza e com a razão. Fora desta perspectiva o homem não pode ser de fato feliz.

Neste sentido, ainda hoje podemos extrair reflexões importantes do Epicurismo e do Estoicismo, sendo que uma delas é que a verdadeira felicidade deve ser antes uma busca realizada com sabedoria.


segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Como leitura para o próximo encontro, teremos o romance "Triste Fim de Policarpo Quaresma", de Lima Barreto, por meio do qual o autor faz uma crítica ao nacionalismo ufanista do final do século XIX e início do século XX.
Contudo, o texto vai mais além: é um embate entre a utopia e a realidade, pois o sonho de Policarpo Quaresma acaba por levá-lo a um trágico fim, sendo condenado à morte pelas próprias forças políticas que ele apoiava. Assim, aquele que tanto sonhou com um país mais justo e com menos desigualdades é derrotado em seus ideais.
O personagem nos lembra bem aquela perspectiva quixotesca, uma vez que o grande anseio de Quaresma o conduz a uma causa perdida, que parece existir somente pra ele. Afinal, a paixão por seu país é ao mesmo tempo a causa de sua loucura, pois não é o bastante para protegê-lo da fúria do sistema político e social em que vive.
Temos, assim, uma oportuna leitura sobre o nacionalismo exacerbado e os rumos da nossa primeira República, o que, aliás, não está tão diferente da República dos nossos dias, a qual ainda insiste num tipo de nacionalismo alienante pra esconder males sociais que apenas superficialmente têm sido contornados, enquanto usa a máquina pública primeiramente em causa própria.
Portanto, apesar de ter sido escrito há mais de 100 anos, a obra pode perfeitamente dialogar com o atual contexto nacional e com os “quixotes” contemporâneos que ainda idealizam um país melhor...
Considerado pela crítica literária um dos grandes escritores do Pré-Modernismo brasileiro, fica então a boa narrativa de Lima Barreto para o encontro de fevereiro. Publicada inicialmente em folhetins, em 1911, na edição vespertina do Jornal do Commercio do Rio de Janeiro, a obra foi impressa em livro apenas quatro anos depois.
Por Paulo Tostes





Para uma breve nota sobre a próxima leitura do grupo, Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra, de Mia Couto (2005), vale começar pela epígrafe do primeiro capítulo, onde o romance já nos mostra a que se propõe: “Encheram a terra de fronteiras, carregaram o céu de bandeiras. Mas só há duas nações – a dos vivos e a dos mortos” (COUTO, 2005, p. 13). A percepção do escritor ao reconhecer o caráter híbrido das culturas nos aponta que estas, longe de serem monolíticas, adotam elementos linguísticos e culturais de diversos povos, e que buscam ultrapassar as fronteiras nacionais e suas pretensões imperialistas.
No romance, um jovem universitário precisa voltar à terra natal para o funeral do avô, cuja morte, na verdade, ainda não está completa. Após anos de ausência, o neto favorito é incumbido então de estar à frente de uma cerimônia fúnebre que esconde desígnios além da compreensão dos homens.
É nesse sentido que Mia Couto propõe outra percepção dos espaços – outras fronteiras –, onde a fluidez narrativa demonstra que a ficção não é necessariamente o contrário do verdadeiro, mas é capaz de apontar verdades até então encobertas pelas verdades históricas. Assim, ao romper com os limites do discurso racional do colonizador, o escritor moçambicano procura reinventar Moçambique, incorporando-lhe o vigor cultural de uma África que os séculos de dominação haviam tentado enfraquecer.
         Certamente a arrogância do pensamento moderno e civilizado, cercado de certezas que a tecnociência passou a sustentá-lo, deixou de lado o interesse pela totalidade, passando a se concentrar no estudo do fragmento e supondo que, por meio deste, alcançaria uma maior objetividade, própria do fazer científico. Com isto, considerou magias e mitos como algo irracional e irrelevante para o entendimento da vida social, visto como material descartável e criado pela mente obscura de primitivos que teimam em não ingressar no curso da história.
       Não é por menos que na citação: “sou como a palavra: minha grandeza é onde nunca toquei” (COUTO, 2005, p. 255), Mia Couto nos instiga o redimensionamento dos espaços e das paisagens que ocupam a geofísica de Moçambique. Em outras palavras, essa citação poética nos sugere que a nação, ao definir um espaço que seja seu e um outro que seja adverso, afirma-se de forma arbitrária, pois desconsidera que o homem não estabelece fronteiras em sua sensibilidade e nem tampouco em seu ir e vir.

Eis, portanto, uma boa reflexão para a leitura de janeiro... Paulo Tostes

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

ATA DO ÚLTIMO ENCONTRO

Museu Imperial de Petrópolis
No último encontro literário, ocorrido na Planet Music, as discussões continuaram acerca da importância dos museus brasileiros, sobretudo os de maior destaque - o Museu Imperial de Petrópolis e o Museu Paulista, também conhecido como Museu do Ipiranga. Os textos estudados e discutidos foram "O Museu Imperial e a Celebração da Monarquia Brasileira", da historiadora Cláudia Soares Azevedo e "Como Explorar um Museu Histórico", de Ulpiano Teixeira.
Ambos os textos tratam, principalmente, da preocupação da afirmação da nacionalidade brasileira naquele momento histórico. Se por um lado a fundação do Palácio do Ipiranga demonstra esta preocupação já no seu momento e local de fundação, a fundação do Museu Imperial de Petrópolis é repleta de simbolismo e, segundo a autora, foi uma forma de resgatar a importância política e memorialista de nosso mais conhecido e aclamado imperador, D. Pedro II.  Não por acaso a cidade de Petrópolis foi escolhida para sediar o local onde se homenagearia a família imperial. Ali, ainda no Primeiro Reinado, D. Pedro I adquiriu as terras para futuros empreendimentos e em 1843 foi fundado o Palácio Imperial para sediar o Império nos meses mais quentes do ano. Nos meses de verão o imperador e sua família preferia os ares mais amenos da serra, algo semelhante aos ares europeus. Em volta da casa da família imperial se estabeleceram figuras importantes do Império Brasileiro e a cidade de Petrópolis se tornaria um refúgio das elites agrárias brasileiras, tanto no Segundo Reinado quanto nas primeiras décadas da República. Mas o Museu Imperial de Petrópolis somente se tornou realidade em 1943, 100 anos após a fundação da cidade, por um esforço pessoal do Presidente Vargas e de figuras importantes da cidade. A ideia era afirmar a nacionalidade brasileira, construída durante o Império e que se viu um pouco abalada com a retirada da família Imperial para o exílio e anos mais tarde com a morte de D.Pedro II na França.
Família Imperial Brasileira no Segundo Reinado.

O esforço pessoal de Getúlio Vargas na construção do Museu conjugava interesses das elites petropolitanas de forma a projetar a cidade na cena cultural brasileira, com a afirmação da figura de um presidente que se preocupava com o seu nome ligado à valorização da cultura e da nacionalidade brasileira. No entanto, a questão mais importante quando se trata de museus é se realmente os museus apresentados podem ser aceitos como Museus Históricos, na formação de uma consciência histórica e como locais de difusão do conhecimento histórico. Sabemos todos que os museus apresentados têm por objetivo contar uma história específica deste recorte histórico, quando aborda apenas a história das elites. A história do Império, com toda sua complexidade, está longe de ser demonstrada, de forma abrangente, nestes espaços ora apresentados, ainda que se tenha um esforço de conferir um sentido histórico no Museu Paulista nos últimos anos.
Museu Paulista (Museu do Ipiranga)
Vale ressaltar que o Museu Paulista, pertencente à USP, está fechado para reforma. Certamente após este período (oito anos) podemos esperar uma afirmação deste espaço de ensino-aprendizagem como um local de difusão do conhecimento histórico, despertando a consciência histórica nos seus visitantes. Quanto ao Museu Mariano Procópio, alvo de discussão no encontro passado, também se encontra fechado para reforma desde o ano de 2005. A esperança para os visitantes de Juiz de Fora e região é de que ele tenha as suas portas reabertas nos próximos anos.

Mas, se por um lado estes espaços não permitem um estudo mais amplo sobre o período mensionado, eles são de fundamental importância no estudo e na análise de um discurso que se forjou naquele período, sobretudo na intensão e no propósito de construir e afirmar a nossa identidade nacional. A nação brasileira, de acordo com a museografia destes espaços, foi, em grande medida, um projeto bem sucedido da nação portuguesa em terras do Novo Mundo.

Participaram deste último encontro: Raphael Reis, Paulo Tostes e Eu (Marcelo Novais). O nosso próximo desafio literário será Um rio chamado tempo. Uma casa chamada terra, de Mia Couto. Uma boa leitura a todos.



sábado, 30 de novembro de 2013

Encontro do mês de novembro de 2013

- Por favor, 4 cappuccinos.
Começa a discussão sobre os textos “Sentidos do passado: visões da história nacional nas galerias do Museu Mariano Procópio”, dos historiadores Robert Daibert e Carina Costa; “O Mundo cabe num leque” e o “O mito da mineiridade num espaço monárquico: a iconografia da Conjuração Mineira no acervo do Museu Mariano Procópio, da historiadora Maraliz Christo.
Além de um encontro agradável numa noite de chuva fina, as discussões foram muito proveitosas.
O texto de Daibert e Costa problematiza o discurso engendrado nas galerias de exposição do Museu Mariano Procópio e a proposta deste discurso em ressaltar os valores da elite da época, que era branca e escravocrata. E mesmo, já com sua abertura (1915) e a respectiva doação à Prefeitura de Juiz de Fora (na década de 20 do século XX) prestavam a um discurso que ressaltava o Império em detrimento da República. Neste sentido, é importante perceber que os olhares; mas, mais importantes do que isso, são as problemáticas históricas que suscitam.
Um desses exemplos, é o leque da Viscondessa de Cavalcanti, pesquisado pela historiadora Maraliz Christo. Um objeto feminino que se transforma em documento histórico, revelando o status social de determinadas mulheres, além das relações sociais da elite, especificamente, da Viscondessa, ao coletar assinaturas de pessoas de destaque nacional e internacional em seu leque ao longo de 50 anos.
Por fim, para o próximo encontro que pretendemos fazer no Museu Imperial, vamos ler dois textos: “O Museu Imperial e a Celebração da Monarquia Brasileira”, de Claudia Soares Azevedo e “Como explorar um museu histórico”, de José Sebastião Witter.
           Para uma época que se fala tanto na abertura do Museu Mariano Procópio, as leituras destes textos nos leva a um novo olhar, a novos sentidos.

domingo, 3 de novembro de 2013

Ata da reunião de outubro - Fernando Sabino e o museu Mariano Procópio


No último domingo de outubro, dia 27, o grupo Prazer da Leitura se reuniu no Museu Mariano Procópio para a dicussão do Livro O encontro Marcado  do mineiro Fernando Sabino.




O dia estava propício para um encontro marcado no museu: sol forte, muitas pessoas passeando e ainda a preparação para um concerto musical que aconteceria  mais tarde. A discussão foi bastante leve e agradável como o romance do Sabino - um texto que mostra o cronista escrevendo suas memórias em forma de romance - tendo como cenário Belo Horizonte e Rio de Janeiro e uma pequena passagem por Juiz de Fora, Uberaba e Barbacena.

O que fica da leitura? um bom conselho do autor: "Ele faria da queda um passo de dança, do medo uma escada, do sono uma ponte, de procura um encontro."




Sabino que nasceu em 12 de outubro e morreu criança em um 12 de outubro 80 anos depois continue inspirando nossos encontros marcados.

A próxima reunião do grupo será em outro museu, o de Petrópolis, em 24 de novembro.


sábado, 26 de outubro de 2013

O Encontro Marcado

A obra literária escolhida para este próximo encontro foi o romance O Encontro Marcado, de Fernando Sabino. Filho de uma típica família de classe média, Fernando Tavares Sabino nasceu em 12 de outubro de 1923, em Belo Horizonte, onde passou toda sua infância e adolescência. Ainda cedo desenvolve-se o gosto pela leitura e escrita, escrevendo seu primeiro conto publicado na revista "Argus", órgão da Secretaria de Segurança de Minas Gerais. Ainda na sua a adolescência passa a atuar como cronista e jornalista em diversos jornais e revistas na capital mineira. Embora tenha decidido se tornar gramático aos 17 anos, inicia-se nos, no início dos anos 40 o curso de Direito. Em meados dessa mesma década, Fernando Sabino viaja ao Rio de Janeiro, conhecendo e se tornando amigo de nomes consagrados da literatura brasileira, como Carlos Drummond de Andrade, Mário de Andrade, Clarice Lispector, Cecília Meirelles, Ruben Braga, entre outros. Em 1945, após se formar em Direito, embarca com Vinícius de Moraes para os Estados Unidos, passando a residir em Nova Iorque, trabalhando no Escritório Comercial do Brasil e, posteriormente no Consulado Brasileiro. Durante todo o tempo em que  viveu no exterior, em várias fases de sua vida, Fernando Sabino atuou como cronista e jornalista para diversos jornais brasileiros, entre eles o "Diário Carioca", "O Jornal"e especialmente o "Jornal do Brasil" e "O Globo", dos quais ele se tornou correspondente por maior período de tempo. Neste mesmo ano (1945) ele começa a escrever O Grande Mentecapto, romance que terminaria apenas 33 anos depois e que se torna posteriormente uma adaptação para o teatro e para o cinema, sendo agraciado com o prêmio no Festival Internacional de Gramado em 1989. No ano seguinte esse filme é exibido no Festival Internacional de Cinema em Washington D.C., e recebe um prêmio. Como se vê, Fernando Sabino, além de cronista, jornalista e romancista, desenvolveu uma considerável carreira na sétima arte. Em 1956 publica o seu romance de maior sucesso, O Encontro Marcado, um grande sucesso de crítica e de público, com uma média de duas edições anuais no Brasil e várias no exterior, além de adaptações teatrais no Rio e em São Paulo. Fernando Sabino desenvolveu uma intensa e prestigiada rede de amizade e profissionalismo com os grandes nomes da literatura, do jornalismo e da política brasileira. Ocupou diversos cargos de carreira pública e construiu uma prestigiada carreira no exterior, tendo sua obras publicadas em diversos países do mundo. Entre as suas obras mais famosas e importantes, além de O Encontro Marcado (1956), estão O Grande Mentecapto, (Record, 1975), O Menino no Espelho, (Record, 1982), Zélia, uma paixão, romance-biografia, Record, 1991, além de vários livros de contos e crônicas, como Os Grilos não cantam mais, (1941), sua primeira obra publicada,  O Homem Nu, 1960, A Mulher do Vizinho, 1962, entre tantos outros. Em julho de 1999 recebeu da Academia Brasileira de Letras o  maior prêmio literário do Brasil, "Machado de Assis", pelo conjunto de sua obra.

Sua obra mais famosa, O Encontro Marcado, publicado em 1956, surpreendeu os leitores por se tratar de uma longa narrativa. "A repercussão foi espetacular, tornando-se de imediato, o livro de cabeceira de milhares de jovens que nele se reconheciam por verem expostos ficcionalmente os seus próprios dramas existenciais." (http//www.passeiweb.com/estudos/livro/o_encontro_marcado). Também adaptada para o teatro, a obra se caracteriza como um típico romance de geração, tendo como abordagem central os problemas específicos de um grupo etário/social de uma determinada época e cujo alcance esgota-se naquela geração. A obra apresenta ao leitor uma Belo Horizonte da década de 40 com todas as suas peculiaridades, o seu aspecto provinciano e principalmente os anseios e alguns traços de preocupações ideológicas daquela geração. A obra tem como protagonista Eduardo Marciano e juntamente com Mauro e Hugo corresponderiam a Fernando Sabino e seus amigos de infância  Hélio Pellegrino e Otto Lara Rezende, respectivamente. Além da caracterização de uma época, a obra apresenta um discurso existencialista, onde tudo se apresenta de forma efêmera, contraditório e questionador, sobretudo de uma moral tipicamente burguesa, arraigada às convenções sociais próprias de uma época.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013


Ata da última reunião

A obra do último encontro do Prazer da Leitura foi O Livro de Areia, de Jorge Luís Borges, publicada em 1975. Na oportunidade, pudemos mais uma vez saborear um pensamento muito caro a Borges – a literatura como um espaço infindável onde se realiza o “irrealizável”, contudo, não menos importante à experiência humana. Pelo contrário, esse irrealizável é o que ficou no livro não escrito, para Borges. É a posse do “aleph”, outra emblemática obra do escritor argentino que, tal como O Livro de Areia, nos convida a um percurso semelhante a um labirinto. Aqui o enfrentamento é o da própria construção da literatura, que, para Borges, significa um caminho infinito de alusões e símbolos, ou seja, uma obra dentro de outra. N’ O Livro de Areia, os seus contos devem prender a atenção do leitor numa desconcertante trama que vai do real ao maravilhoso, do local ao universal. Por aí, já se percebe que apenas um conto do livro já é tema pra mais de um encontro, pois o que dá título ao livro é sugestivamente uma porta que se abre para o desconhecido, para o que possa ser “o livro dos livros”... Eis o sentimento que tivemos ao discutir a obra que contou com as participações do Raphael, do Marcelo, de mim e do Messias – o novo convidado do grupo. Para o próximo encontro, teremos a indicação do Marcelo – O Encontro Marcado, de Fernando Sabino, a se realizar no dia 27 de outubro, às 15 horas, no Museu Mariano Procópio. Fica, então, mais um encontro marcado com a literatura e, desta vez em particular, com a trajetória de um jovem intelectual que deve ir ao encontro de si mesmo...

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Próximo encontro: O Livro de Areia, de Jorge Luis Borges

Prepara que agora é a leitura de Borges, nada mais nada menos que o "pequeno" livro de contos intitulado "Livro de Areia", o qual dá nome a um dos contos.

“O número de páginas deste livro é infinito. Nenhuma é a primeira, nenhuma, a última.” (BORGES, 1999; 81)

Tendo a literatura como re-escritura, tema que contemplou amplamente em sua obra, o escritor argentino Jorge Luís Borges descreve, no Livro de Areia, uma de suas grandes “obsessões” – um livro que seja infinito. Nesse sentido, se desenrola a história de um personagem que compra um livro de um desconhecido e insistente vendedor de livros, ou Bíblias, que bate à porta de sua casa. Sem princípio nem fim, a narrativa, bem borgeana, é sempre uma nova possibilidade de leitura à medida que vai sendo lida; é como uma viagem rumo ao infinito e para lugares inimagináveis.
Eis a perturbadora impressão que “o livro” causa no personagem que o compra! Afinal, é uma leitura que nos leva, juntamente com esse personagem, ao desconhecido: “Faz alguns meses, ao entardecer, ouvi uma batida na porta. Abri e entrou um desconhecido (...) de traços mal conformados.” (BORGES,1999, p. 79). E ao mesmo tempo é a condição da leitura – espaço inacabado e que só se vai realizando à medida que se lê. Mas no caso do personagem central do livro de Borges, outro ponto instigante é que esse mesmo personagem não sabia ler: “Seu possuidor não sabia ler” (BORGES, 1999, p. 80).
Então, o que ele lia?
Contudo, ele “lê” fazendo-nos lê-lo, ao tentarmos decifrar o que está escrito. Percebe-se que “o livro” se confunde com nós mesmos, leitores-viajantes do infinito, quando batemos na nossa própria porta...
Ainda que breve, este pequeno texto é tão somente o convite para que possamos iniciar o contato com um dos maiores contistas e ficcionistas de todos os tempos, cosmopolita que nasceu Argentina, viveu na Europa e teve a sua obra traduzida para vários idiomas, além de ter sido nomeado, em 1955, diretor da Biblioteca Nacional de Buenos Aires. Não por menos, disse certa vez: “Sempre imaginei que o paraíso fosse uma espécie de livraria”.

Confira também a excelente postagem sobre o "olhar" de Borges, de autoria de Ailton Augusto na Revista Encontro Literário.

http://revistaencontroliterario.blogspot.com.br/search?q=O+livro+de+areia

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

ÚLTIMO ENCONTRO (ATA)

O último encontro literário teve como objeto de discussão uma das obras mais lidas, seguidas e questionadas de todos os tempos: O Manifesto Comunista, de Marx e Engels. Lançado em meados do século XIX, este livro foi ponto de partida e de direcionamentos políticos e ideológicos que ainda em pleno desenvolvimento de sociedades capitalistas - e talvez mesmo em função disso - nos traz tantas inquietações. Afinal, se para muitos a construção de um estado socialista, aos moldes do que se propuseram os autores mencionados, não se apresenta como uma possibilidade próxima ou longínqua, não há como se negar as interpretações de tal teoria quando as crises do capitalismo nos batem à porta. A discussão inicia-se com uma reflexão sobre o desenvolvimento da classe burguesa, os seus avanços e as suas contradições, não deixando de estabelecer uma relação com o desenvolvimento e a dinamização da economia em tempos atuais. Ao mesmo tempo, se faz uma reflexão acerca do desenvolvimento da classe trabalhadora ao longo do século XX e início do XXI, em que, assim como o desenvolvimento burguês, apresenta toda sua complexidade e dinâmica, própria de uma sociedade em constante transformação. Neste sentido, o ideal revolucionário, tão marcante e característico de tal teoria, apresenta um caminho mais no campo filosófico e ideológico do que em uma realidade prática e vivenciada. Isto, de maneira alguma, retira os méritos de uma teoria econômico-social que pretendeu mudar o mundo em que vivemos. Apenas nos oferece maiores desafios de superar ou minimizar as nossa próprias contradições. Participaram deste encontro Paulo Toste, Raphael Reis, Ana Carolina, e eu, Marcelo Novais. Seguindo a ordem do grupo de leitura, a próxima obra a ser discutida será O Livro de Areia, uma coletânea de Contos do prestigiado autor argentino Jorge Luis Borges. O encontro será na Planet Music dia 29 de setembro às 18 horas. Tenhamos todos uma ótima leitura

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Próxima Leitura: O Manifesto Comunista

Prepara o café e o pão de queijo! No próximo domingo (25/08) vamos receber duas visitas ilustres: os jovens Marx e Engels.
Dando prosseguimento a tríade de leituras do Grupo Prazer da Leitura (Literatura Brasileira, Literatura Estrangeira e Ciência Humanas), no último encontro foi escolhida a obra “O Manifesto Comunista”, dos pensadores supracitados.
Compartilhamos a ideia de que boas obras, principalmente, aquelas consideradas como “clássico”, permite reflexões, discussões, pontos de vista distintos, e, especificamente, a fazer uma leitura do presente a partir de e com ela -, não tenho a menor dúvida que este encontro permitirá isso tudo e mais um pouco!
Como provocação inicial: será que o Manifesto tem algo a nos dizer? Se tem algo a nos dizer, o que seria? Se não tem nada a dizer, é o fim da história e da sociedade de classes? Vivemos numa sociedade sem classes ou viveremos?
Bem, o Manifesto do Partido Comunista representa uma fase da vida dos autores, na qual são construídos conceitos fundamentais: materialismo histórico, materialismo dialético, teoria da luta de classes, papel revolucionário do proletariado e comunismo.
Independente de concordar ou não com as concepções, o fato é que o "Manifesto" é fruto de um contexto histórico muito importante, pois foi elaborado pelo movimento proletário, orientando o posicionamento e atuação da Liga Comunista. Além disso, foi inspiração a futuros partidos proletários e à revolução bolchevista de 1917, portanto, só por estes fatores, se constituí como um dos principais documentos históricos até hoje produzido.
Por fim, finalizo este aperitivo com Hobsbawm:
“Não obstante, se hoje nos impressiona a agudeza com que o Manifesto anteviu o futuro, então remoto, de um capitalismo enormemente globalizado, o insucesso de outra de suas previsões é igualmente digno de nota. Está agora evidente que a burguesia não produziu ‘principalmente seus próprios coveiros’ no proletariado. ‘Sua queda e a vitória do proletariado’ não se mostraram ‘igualmente inevitáveis’. O contraste entre as duas metades da análise do Manifesto em sua parte intitulada ‘Burgueses e Proletários’ pede maiores explicações depois de 150 anos”.
Àqueles que se interessarem, fica a dica de leitura do livro “Como mudar o mundo", de Eric Hobsbwm”.

Para o encontro, aguardamos a presença dos “companheiros”, além deste que vos fala: Marcelo Novais, Paulo Tostes, Wanessa, Joselaine, Carol e Messias.

Os integrantes Carla Machado e Marcos Godoy, infelizmente, estarão ausentes para este encontro.